Literatura: evento manifesto da vida
Não seria obvio ao menos inicialmente
Pensar pelo menos inadvertidamente
Que toda literatura neste mundo existente
Seria necessariamente um fenômeno manifesto
Daquilo que conhecemos como vida humana?
Enquanto arte, de certo.
Traduz a existência em prosa e verso
Comunicação, linguagem, afeição
Sem faltar ritmo, sonoridade, afinação
Estética do belo que inspira perfeição
Nos fluxos da razão e do desejo
A literatura desreduz a vida à biologia
Numa expressão molecular de sentido
Que cria e recria em corpos e cérebros
Caldo semiótico e afetivo do divinamente humano
Mas e quando a vida se torna maquínica
E se limita a uma lógica dualística
Que impede a potência criativa
E deixa de ser reviravolta inevitável
Que se pulveriza e se hibridiza?
Um desvio, uma brecha, um escape é preciso
Resistência coordenada para sua manutenção
Urgentemente retomar sua posição
Novamente imaginar, sentir, criar
A literatura reconvocar: volta vida!