sexta-feira, 19 de abril de 2019




O quanto a gente não se vê

O que sabemos a nosso respeito?
Uma verdade, mas as verdades, não sabemos
Percepção plena não nos é permitida
Conjectura domesticada, controlada, restrita.

A única forma possível não é a objetivamente dada
Rótulo costumeiro em torno do qual se organiza o olhar
Despida da corporeidade daquela alma subjetiva
Ausência experiencial da integralidade da vida

Sem linguagem, sem interpretação, sem consciência
Há um outro rico mundo perceptivo sensorial
Que não prescinde de tempo, espaço, memória
Também de fora para dentro, não apenas de mim para fora

Movimento dialético na direção do mundo
Não mais apenas restrito naquilo que encerra a discussão
Capacidade subjetiva é receber o outro antes de julgá-lo
Relacionamento com responsabilidade, reposta ao que faço

Relação de dar e receber, composição e movimento
Reconstrução do psiquismo, necessária nova forma de perceber
De como se olha pro mundo, pros outros e pra si mesmo
De como se relaciona com o que vê, com o que sente, sentido do ser

Ricardo Valentim


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