O olhar cego (2ª
parte).
Percepção algo a ser construído
De certo, sem graça, o biologicamente dado
Melhor arriscar-se, despretensão em atribuir
Novos sentidos outrora, objetivamente criados
Percepção, um acontecimento encarnado
Hoje desencarnada hiperestimulação mental
Reducionismo equivocado do próprio existir
Excluído o sentir, adoecimento sensorial
Num mundo de pessoas razoavelmente limitadas
Necessidade do olhar cego não nomeado
Que apreendem o mundo não apenas pela linguagem
Exigência d’uma percepção completa, convite desejado
Para além daquelas palavras úteis
Para além do contorno do mundo concreto
Percepção é experiência de ser poeta
Delineio imagético, subjetivo, liberto
Percepção para compreender? É para incorporar
Ser mais sensível; menos razão, mais emoção
O nome objetivo empobrece a imagem
Olhar subjetivo transvisto, voltar a humanização
Ricardo Valentim
Nenhum comentário:
Postar um comentário