sábado, 23 de março de 2019



O olhar cego (2ª parte).



Percepção algo a ser construído
De certo, sem graça, o biologicamente dado
Melhor arriscar-se, despretensão em atribuir
Novos sentidos outrora, objetivamente criados


Percepção, um acontecimento encarnado
Hoje desencarnada hiperestimulação mental
Reducionismo equivocado do próprio existir
Excluído o sentir, adoecimento sensorial


Num mundo de pessoas razoavelmente limitadas
Necessidade do olhar cego não nomeado
Que apreendem o mundo não apenas pela linguagem
Exigência d’uma percepção completa, convite desejado


Para além daquelas palavras úteis
Para além do contorno do mundo concreto
Percepção é experiência de ser poeta
Delineio imagético, subjetivo, liberto


Percepção para compreender? É para incorporar
Ser mais sensível; menos razão, mais emoção
O nome objetivo empobrece a imagem
Olhar subjetivo transvisto, voltar a humanização

Ricardo Valentim

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