terça-feira, 12 de março de 2019






Espelho, espelho não meu.


O que é aquilo que vejo?
O que é aquilo que domino?
É o domesticado daquilo que espero.
Do que vejo no meu não puro íntimo.


Versão incerta incompleta de mim.
Não reflete aquilo que sou.
Sem fluxo, sem risco, sem vida.
Espelho estável, bem seguro estou.


Mas como suster minha falta de sentido?
Em meu vazio estéril de movimento.
Um olhar para mim sem definir meus limites
Daquele afeto que o espelho me esconde no medo


Mas olhar para o meu não espelho é preciso.
Estar nele num desejoso sinal de querer.
Para ser atravessado, exposto no sentir.
Numa experiência transformadora do meu ser.


Cada tempo se estrutura essa minha história.
Que conta um conto desse meu existir.
Agora vou olhar-me no meu não espelho sorrindo.
Processo de reconstrução do meu ver em mim.

Ricardo Valentim

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