Espelho, espelho não
meu.
O que é aquilo que
vejo?
O que é aquilo que
domino?
É o domesticado
daquilo que espero.
Do que vejo no meu não
puro íntimo.
Versão incerta incompleta
de mim.
Não reflete aquilo
que sou.
Sem fluxo, sem risco,
sem vida.
Espelho estável, bem
seguro estou.
Mas como suster minha
falta de sentido?
Em meu vazio estéril
de movimento.
Um olhar para mim sem
definir meus limites
Daquele afeto que o
espelho me esconde no medo
Mas olhar para o meu
não espelho é preciso.
Estar nele num desejoso
sinal de querer.
Para ser atravessado,
exposto no sentir.
Numa experiência
transformadora do meu ser.
Cada tempo se
estrutura essa minha história.
Que conta um conto desse
meu existir.
Agora vou olhar-me no
meu não espelho sorrindo.
Processo de reconstrução
do meu ver em mim.
Ricardo Valentim
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